Nova técnica mostra
expansão do mal de Alzheimer no cérebro de pacientes
Por Erica Goode :: 14:10 06/02
Cientistas desenvolveram
uma técnica que permite acompanhar o desenvolvimento do
mal Alzheimer no cérebro de pacientes vivos "como o
fluxo de lava de um vulcão", explica um pesquisador.
A técnica, descrita nesta
quinta-feira no The Journal of Neuroscience, pode ajudar
as companhias farmacêuticas a avaliarem a eficácia dos
medicamentos para a doença e auxiliar na identificação
precoce de pessoas que correm risco de desenvolverem a
doença. Na técnica, um computador analisa cada exame
cerebral e gera vídeos tridimensionais.
"Alguns
pesquisadores já usaram esses exames antes, mas os
estudos têm sido como tirar uma foto instantânea de um
balé", afirmou o dr. Paul Thompson, professor adjunto de
neurologia da Universidade da Califórnia, em Los
Angeles, e autor do relatório. "Esse é o primeiro estudo
a acompanhar a dinâmica expansão da doença no cérebro".
A equipe de pesquisa de Thompson colaborou com
investigadores da Universidade de Queensland, na
Austrália, o Hospital Addenbrooke em Cambridge, na
Inglaterra, e a GlaxoSmithKline Pharmaceuticals na
realização do estudo.
Os vídeos foram baseados
nas análises de mudanças repentinas nas ressonâncias
magnéticas de 12 pacientes com mal de Alzheimer,
comparados com exames de 14 idosos sem a doença. Os
vídeos retratam a média perda celular nas diferentes
áreas do cérebro.
Pesquisadores já sabiam,
através de autópsias, que os pacientes com mal de
Alzheimer mostram a morte progressiva de células
nervosas em muitas áreas do cérebro. Mas nos vídeos, o
dano pode ser visto entre estruturas envolvidas com a
memória, emoção e controle de comportamento.
Outras regiões do cérebro - centros de sensores
responsáveis pela visão e tato, por exemplo -
permaneceram intactos, afirmou Thompson, considerando-os
"ilhas de células nessa devastadora seqüência de perda".
Os pesquisadores descobriram que a perda de
tecido cerebral progride em uma média de 4 a 5% a cada
ano nos pacientes com mal de Alzheimer, enquanto em
cérebros saudáveis, apenas cerca de 0,5% é perdido a
cada ano com o envelhecimento.
O dr. Thomas
Chase, chefe de terapia experimental do Instituto
Nacional de Doenças Neurológicas e Derrame e
especialista no tratamento do mal de Alzheimer, disse
que a nova técnica "ajuda no nosso conhecimento do
progresso da doença no cérebro e, dessa forma, é de
interesse geral".
A capacidade de acompanhar o
progresso da doença no cérebro pode ajudar os cientistas
a separarem diferentes subtipos da doença, afirmou
Chase.
Mas acrescentou, "A verdadeira questão é:
'Isso aumenta nossa capacidade de lidar com a doença,
compreender precisamente o que ela é e descobrir
terapias mais eficazes?'".
O dr. Antonio Convit,
cientista e pesquisador do Instituto Nathan S. Kline
para Pesquisa Psiquiátrica, considerou a técnica "uma
tecnologia promissora que elegantemente confirma os
antigos exames de imagem".
Convit afirmou que a
técnica pode ser usada para dizer quem, entre as pessoas
que apresentam sinais precoces das falhas mentais
características da doença, realmente irá desenvolver o
mal de Alzheimer.
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