São Paulo, 06 de Fevereiro de 2003
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Nova técnica mostra expansão do mal de Alzheimer no cérebro de pacientes

Por Erica Goode :: 14:10 06/02

Cientistas desenvolveram uma técnica que permite acompanhar o desenvolvimento do mal Alzheimer no cérebro de pacientes vivos "como o fluxo de lava de um vulcão", explica um pesquisador.    

A técnica, descrita nesta quinta-feira no The Journal of Neuroscience, pode ajudar as companhias farmacêuticas a avaliarem a eficácia dos medicamentos para a doença e auxiliar na identificação precoce de pessoas que correm risco de desenvolverem a doença. Na técnica, um computador analisa cada exame cerebral e gera vídeos tridimensionais.

"Alguns pesquisadores já usaram esses exames antes, mas os estudos têm sido como tirar uma foto instantânea de um balé", afirmou o dr. Paul Thompson, professor adjunto de neurologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e autor do relatório. "Esse é o primeiro estudo a acompanhar a dinâmica expansão da doença no cérebro".

A equipe de pesquisa de Thompson colaborou com investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, o Hospital Addenbrooke em Cambridge, na Inglaterra, e a GlaxoSmithKline Pharmaceuticals na realização do estudo.

Os vídeos foram baseados nas análises de mudanças repentinas nas ressonâncias magnéticas de 12 pacientes com mal de Alzheimer, comparados com exames de 14 idosos sem a doença. Os vídeos retratam a média perda celular nas diferentes áreas do cérebro.

Pesquisadores já sabiam, através de autópsias, que os pacientes com mal de Alzheimer mostram a morte progressiva de células nervosas em muitas áreas do cérebro. Mas nos vídeos, o dano pode ser visto entre estruturas envolvidas com a memória, emoção e controle de comportamento.

Outras regiões do cérebro - centros de sensores responsáveis pela visão e tato, por exemplo - permaneceram intactos, afirmou Thompson, considerando-os "ilhas de células nessa devastadora seqüência de perda".

Os pesquisadores descobriram que a perda de tecido cerebral progride em uma média de 4 a 5% a cada ano nos pacientes com mal de Alzheimer, enquanto em cérebros saudáveis, apenas cerca de 0,5% é perdido a cada ano com o envelhecimento.

O dr. Thomas Chase, chefe de terapia experimental do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Derrame e especialista no tratamento do mal de Alzheimer, disse que a nova técnica "ajuda no nosso conhecimento do progresso da doença no cérebro e, dessa forma, é de interesse geral".

A capacidade de acompanhar o progresso da doença no cérebro pode ajudar os cientistas a separarem diferentes subtipos da doença, afirmou Chase.

Mas acrescentou, "A verdadeira questão é: 'Isso aumenta nossa capacidade de lidar com a doença, compreender precisamente o que ela é e descobrir terapias mais eficazes?'".

O dr. Antonio Convit, cientista e pesquisador do Instituto Nathan S. Kline para Pesquisa Psiquiátrica, considerou a técnica "uma tecnologia promissora que elegantemente confirma os antigos exames de imagem".

Convit afirmou que a técnica pode ser usada para dizer quem, entre as pessoas que apresentam sinais precoces das falhas mentais características da doença, realmente irá desenvolver o mal de Alzheimer.


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