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Saúde
Segunda, 10 de outubro de 2005, 21h57 
Aids: terapias não impedem avanço do vírus no cérebro
 
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Os remédios usados com sucesso para conter o avanço da aids no corpo humano são impotentes para freá-lo no cérebro, onde o vírus ataca zonas da atividade motora, linguagem e sentidos, anunciaram nesta segunda-feira pesquisadores americanos. O estudo foi divulgado nesta segunda-feira no periódico americano Proceedings of the National Academy of Sciences.

Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Universidade de Pittsburgh descobriram que o cérebro é bem mais vulnerável ao vírus HIV do que outras partes do corpo, mesmo entre os doentes que seguem uma terapia medicamentosa. "Esse estudo trouxe duas grandes surpresas", declarou o professor associado de Neurologia da Escola de Medicina David-Geffen da UCLA, Paul Thompson.

"Primeiramente, a aids ataca o cérebro de maneira seletiva. Em segundo lugar, o tratamento médico não parece retardar os danos infligidos pelo vírus ao cérebro", explicou, acrescentando que "o cérebro oferece um santuário ao HIV, aonde a maioria dos medicamentos não consegue chegar".

No estudo, os pesquisadores analisaram as imagens por ressonância magnética nuclear (IRM) do cérebro de 26 pessoas infectadas pelo vírus e de 14 pessoas soropositivas. As IRM das pessoas contaminadas mostraram, em média, uma perda de 15% dos tecidos do cérebro nos centros reguladores do movimento e da coordenação, segundo o doutor Thompson.

"A perda de tecido se segue à perda de células (imunológicas) T, o que significa que as pessoas, cujo sistema imunológico é deficiente, também apresentam danos graves ao cérebro", acrescentou. "Nós pensávamos que esses fenômenos fossem separados (...), mas de fato eles estão estreitamente ligados", disse ele.

De acordo com os especialistas, os pacientes com aids sofrem, freqüentemente, a perda de vocabulário, problemas de julgamento e dificuldades para se organizar. Os casos mais graves levam à perda de memória e a uma demência comparável à provocada pelo mal de Alzheimer.
 

AFP

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