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Aids: terapias não impedem avanço do vírus no cérebro
Da France Presse
11/10/2005 09h03- Os
remédios usados com sucesso para conter o avanço da Aids no corpo
humanos são impotentes para freá-lo no cérebro, onde o vírus ataca
zonas da atividade motora, linguagem e sentidos, anunciaram nesta
segunda-feira pesquisadores americanos.
Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da
Universidade de Pittsburgh descobriram que o cérebro é bem mais
vulnerável ao vírus HIV do que outras partes do corpo, mesmo entre os
doentes que seguem uma terapia medicamentosa.
"Esse estudo trouxe duas grandes surpresas", declarou o professor
associado de Neurologia da Escola de Medicina David-Geffen da UCLA,
Paul Thompson.
"Primeiramente, a Aids ataca o cérebro de maneira seletiva. Em
segundo lugar, o tratamento médico não parece retardar os danos
infligidos pelo vírus ao cérebro", explicou, acrescentando que "o
cérebro oferece um santuário ao HIV, aonde a maioria dos medicamentos
não consegue chegar".
No estudo, os pesquisadores analisaram as imagens por ressonância
magnética nuclear (IRM) do cérebro de 26 pessoas infectadas pelo vírus
e de 14 pessoas soropositivas. As IRM das pessoas contaminadas
mostraram, em média, uma perda de 15% dos tecidos do cérebro nos
centros reguladores do movimento e da coordenação, segundo o doutor
Thompson.
"A perda de tecido se segue à perda de células (imunológicas) T, o
que significa que as pessoas, cujo sistema imunológico é deficiente,
também apresentam danos graves ao cérebro", acrescentou.
"Nós pensávamos que esses fenômenos fossem separados (...), mas de fato eles estão estreitamente ligados", disse ele.
De acordo com os especialistas, os pacientes com Aids sofrem,
freqüentemente, a perda de vocabulário, problemas de julgamento e
dificuldades para se organizar. Os casos mais graves levam à perda de
memória e a uma demência comparável à provocada pelo mal de Alzheimer.
O estudo foi divulgado hoje no periódico americano "Proceedings of the National Academy of Sciences".
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