Os remédios usados com sucesso para conter o avanço da aids
no corpo humano são impotentes para freá-lo no cérebro, onde o vírus
ataca zonas da atividade motora, linguagem e sentidos, anunciaram nesta
segunda-feira pesquisadores americanos. O estudo foi divulgado nesta
segunda-feira no periódico americano Proceedings of the National
Academy of Sciences.
Cientistas
da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Universidade
de Pittsburgh descobriram que o cérebro é bem mais vulnerável ao vírus HIV
do que outras partes do corpo, mesmo entre os doentes que seguem uma
terapia medicamentosa. "Esse estudo trouxe duas grandes surpresas",
declarou o professor associado de Neurologia da Escola de Medicina
David-Geffen da UCLA, Paul Thompson.
"Primeiramente, a aids
ataca o cérebro de maneira seletiva. Em segundo lugar, o tratamento
médico não parece retardar os danos infligidos pelo vírus ao cérebro",
explicou, acrescentando que "o cérebro oferece um santuário ao HIV, aonde a maioria dos medicamentos não consegue chegar".
No
estudo, os pesquisadores analisaram as imagens por ressonância
magnética nuclear (IRM) do cérebro de 26 pessoas infectadas pelo vírus
e de 14 pessoas soropositivas. As IRM das pessoas contaminadas
mostraram, em média, uma perda de 15% dos tecidos do cérebro nos
centros reguladores do movimento e da coordenação, segundo o doutor
Thompson.
"A
perda de tecido se segue à perda de células (imunológicas) T, o que
significa que as pessoas, cujo sistema imunológico é deficiente, também
apresentam danos graves ao cérebro", acrescentou. "Nós pensávamos que
esses fenômenos fossem separados (...), mas de fato eles estão
estreitamente ligados", disse ele.
De acordo com os especialistas, os pacientes com aids
sofrem, freqüentemente, a perda de vocabulário, problemas de julgamento
e dificuldades para se organizar. Os casos mais graves levam à perda de
memória e a uma demência comparável à provocada pelo mal de Alzheimer.
Fonte: AFP