10/10/2005 - 21h23 Aids: terapias não impedem avanço do vírus no cérebro
LOS ANGELES, 10 out (AFP) - Os
remédios usados com sucesso para conter o avanço da Aids no corpo
humanos são impotentes para freá-lo no cérebro, onde o vírus ataca
zonas da atividade motora, linguagem e sentidos, anunciaram nesta
segunda-feira pesquisadores americanos.
Cientistas da
Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Universidade de
Pittsburgh descobriram que o cérebro é bem mais vulnerável ao vírus HIV
do que outras partes do corpo, mesmo entre os doentes que seguem uma
terapia medicamentosa.
"Esse estudo trouxe duas grandes
surpresas", declarou o professor associado de Neurologia da Escola de
Medicina David-Geffen da UCLA, Paul Thompson.
"Primeiramente, a
Aids ataca o cérebro de maneira seletiva. Em segundo lugar, o
tratamento médico não parece retardar os danos infligidos pelo vírus ao
cérebro", explicou, acrescentando que "o cérebro oferece um santuário
ao HIV, aonde a maioria dos medicamentos não consegue chegar".
No
estudo, os pesquisadores analisaram as imagens por ressonância
magnética nuclear (IRM) do cérebro de 26 pessoas infectadas pelo vírus
e de 14 pessoas soropositivas. As IRM das pessoas contaminadas
mostraram, em média, uma perda de 15% dos tecidos do cérebro nos
centros reguladores do movimento e da coordenação, segundo o doutor
Thompson.
"A perda de tecido se segue à perda de células
(imunológicas) T, o que significa que as pessoas, cujo sistema
imunológico é deficiente, também apresentam danos graves ao cérebro",
acrescentou.
"Nós pensávamos que esses fenômenos fossem separados (...), mas de fato eles estão estreitamente ligados", disse ele.
De
acordo com os especialistas, os pacientes com Aids sofrem,
freqüentemente, a perda de vocabulário, problemas de julgamento e
dificuldades para se organizar. Os casos mais graves levam à perda de
memória e a uma demência comparável à provocada pelo mal de Alzheimer.
O estudo foi divulgado hoje no periódico americano "Proceedings of the National Academy of Sciences".
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