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POLÊMICAS DA CIÊNCIA A GENÉTICA E A BURRICE Um dos
responsáveis pela descoberta do DNA afirma que a falta de
inteligência é passada pelos genes e deve ser tratada como doença
Por Rogério Tuma
Em documentário apresentado pelo Canal 4
inglês, comemorando os 50 anos da descoberta da molécula do DNA, o
cientista James Watson – que foi o autor da façanha, juntamente com
Francis Crick – causou polêmica afirmando que a burrice é genética e
deve ser tratada como doença. No mesmo documentário, quando foi
apresentado a uma família com dois filhos, um deles com síndrome de
Down – e tão valorizado quanto o outro – o cientista soube expressar
apenas emoção, talvez por lembrar de seu próprio filho também
portador de uma doença mental, a esquizofrenia.
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Evidência. Gêmeos idênticos têm QI
similar | | | Um
artigo publicado na Nature Neuroscience de novembro de 2001 por Paul
Thompson, da Universidade da Califórnia, mostra que gêmeos idênticos
– portadores, portanto, do mesmo DNA – têm a massa cinzenta e o QI,
em média, 95% idênticos, enquanto nos gêmeos não-idênticos essa
correlação fica entre 60% e 70%. Isso demonstra a existência de um
componente genético para a inteligência.
Ainda hoje não
mapeamos a genética da inteligência, nem sequer a definimos
satisfatoriamente. Ela não é uma função vertical, isolada, mas sim
um complexo de funções, entre as quais a memória espacial, a memória
verbal, o cálculo, a atenção, a habilidade visuo-espacial, o
raciocínio lógico, a abstração e a fluência verbal. Sabemos que
muitos desses componentes são transmitidos por um ou vários genes,
sem saber quais são e em que cromossomo estão. Além da genética,
o ambiente, os estímulos na infância, as experiências pessoais e
muitos outros fatores afetam a performance do indivíduo nos testes
de QI e nos testes da vida. O que o dr. Watson deveria ter dito é
que existem doenças genéticas que afetam a inteligência – como a
Fenilcetonúria e a síndrome do Cromossomo X Frágil – e que a terapia
gênica poderia ajudar a curá-las. Outro cientista com um prêmio
Nobel no currículo, o dr. Paul Nurse, chefe do Instituto de Câncer
da Inglaterra, é mais atento à ética e prediz que, em 20 anos,
poderemos ter um cartão com todo nosso mapa genético, o que
permitiria uma medicina preventiva personalizada. Mas ele alerta
que, com isso, podemos iniciar uma fase de segregação genética, na
qual as oportunidades só apareceriam para quem tem “bons genes”.
O dr. Watson também prega que todas as garotas sejam feitas
lindas, mas essa outra polêmica pode ser interpretada apenas como
resultado de falta de inteligência ou de alguns genes que a
influenciam.
CONTA-GOTAS
Gordinhos,
atenção A Organização Mundial de Saúde criou uma força
tarefa para eliminar a obesidade, considerada uma doença epidêmica.
O dr. Phillip James lembra que, apesar de opções saudáveis de dieta
terem surgido nos últimos dez anos, o índice de obesos nas
populações cresceu mais rapidamente. Nos EUA o porcentual de obesos
já é de 31% em adultos e 25% entre as crianças; na Inglaterra esses
índices atingem 23% e 20%, respectivamente. O dr. James acredita
que, em 20 anos, esse porcentual chegue a 50% em alguns países. O
número de doenças associadas como hipertensão, derrame, infarto e
diabetes têm aumentado. Uma força tarefa da OMS, liderada pelo dr.
James, estimula governos a desenvolver programas que despertem na
população a consciência da importância de dietas mais saudáveis. A
força tarefa negocia com as empresas de alimentos a criação de
produtos com densidade calórica menor. Os produtores de alimentos
deveriam se lembrar do desgaste que a indústria do tabaco sofreu por
negligenciar os riscos a longo prazo.
Jovens eternos,
atenção A nova onda de medicamentos orais para
rejuvenescimento que usam hormônio de crescimento – GH – são
caríssimos e não têm base científica. Desde que em 1990 o New
England Journal of Medicine publicou um artigo do dr. Rudman
mostrando que o GH administrado pela veia em indivíduos com mais de
60 anos aumentava a massa muscular e reduzia a gordura, muitos
anúncios milagrosos apareceram. A revista na semana passada
apresentou uma revisão sobre o assunto e concluiu que não existe
nenhum ganho em termos de força ou rejuvenescimento, que o GH por
via oral não funciona e, pior ainda, que o GH usado por muito tempo
pode induzir o câncer de próstata. A única medida que
comprovadamente funciona, e custa bem menos, é a atividade física
freqüente. |