3

A publicação do artigo "Influências Genéticas na Estrutura Cerebral", de Paul Thompson e Arthur Toga, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia e outros 11 autores finlandeses e norte-americanos, que pretende demostrar a existência de uma correlação entre genes e capacidade cognitiva
  • Uma das coisas confirmadas pelo estudo já era conhecida: os cérebros de gêmeos idênticos tem mais semelhanças estruturais do que os de pessoas sem parentesco. Os pesquisadores compararam também a massa cinzenta dos gêmeos idênticos e aplicaram testes de QI, verificando que os desempenhos eram tanto mais próximos quanto mais semelhantes as estruturas cerebrais, Acreditaram, assim, ter encontrado uma correlação entre genes e capacidade cognitiva.
  • "Esses mapas genéticos do cérebro revelam como os genes determinam diferenças individuais e podem lançar luz sobre a hereditariedade de habilidades cognitivas e lingüísticas", escreveram.
  • Entretanto, há controvérsias a respeito. O médico Cláudio Guimarães, professor da pós-graduação em morfologia da Universidade Federal de São Paulo, diz que o artigo não permite a conclusão de que a capacidade cognitiva sofra mais influência dos genes que do ambiente.
  • Não há "conclusão definitiva. Não existe um molde, ou alguém que seja moldado". O aprendizado é modificação de padrões de conexão cerebral, e o desempenho cognitivo também depende do que acontece ao longo da vida, e não só dos genes, diz ele.
  • Para Guimarães, é mais interessante o fato de nem todas as áreas dos cérebros de gêmeos idênticos serem similares, como mostram as imagens apresentadas pelo artigo. Em sua opinião, isso poderia ser explicado pelo peso determinante da experiência pessoal na estruturação dessas áreas (como as envolvidas no processamento de impulsos visuais).
  • O estudo foi publicado pela revista Nature Neuroscience(www.nature.com).