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Imagens mostram evolução da esquizofrenia
![]() Taxa de perda da massa cerebral (imagens: Thompson et al.) Uma nova técnica de análise de imagens desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e do Instituto Nacional de Saúde Mental (ambos nos EUA) conseguiu detectar pela primeira vez o impacto devastador da evolução da esquizofrenia no cérebro. O método, criado a partir de um estudo feito com 12 pacientes adolescentes, é capaz de identificar as mínimas mudanças ocorridas na estrutura cerebral e será utilizado para pesquisas de novos tratamentos. "Usaremos a técnica para comparar medicamentos e determinar como eles reagem com a doença", explica Paul Thompson, professor de neurologia da Escola de Medicina da Ucla e coordenador da pesquisa. Durante cinco anos, os cientistas submeteram seus pacientes a exames de ressonância magnética e utilizaram a técnica para avaliar a deterioração do cérebro provocada pela doença. Os resultados foram publicados em 25 de setembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. "Ficamos perplexos com a forma como a esquizofrenia progride e com os danos causados ao cérebro", disse Thompson à CH on-line. "A perda de tecido cerebral começa em uma pequena região e se espalha como um 'incêndio na floresta', destruindo mais e mais tecidos." O estudo detectou a morte de mais de 10% de massa cerebral no córtex parietal, parte do cérebro que comanda os pensamentos lógicos. Pacientes que tiveram a maior perda registraram também os sintomas mais graves, que incluem alucinações, delírios, pensamentos bizarros e psicóticos, audição de vozes e depressão. Indivíduos saudáveis também podem registrar uma eventual morte de tecido cerebral, principalmente durante a adolescência. Nos esquizofrênicos, entretanto, essa perda é mais acentuada e tem reflexos em regiões sensoriais e motoras. Na região frontal próxima aos olhos, responsável pelo controle do movimento ocular, o cérebro perde tecido mais rapidamente, numa razão de 5% ao ano. ![]() Taxa de perda da massa cerebral Estima-se que a esquizofrenia afete 1% da população mundial. Suas causas são desconhecidas e ela costuma manifestar-se mais na adolescência. A doença tem histórico familiar -- filhos de pacientes esquizofrênicos têm 10% de chance de desenvolver o distúrbio --, mas genes específicos ainda não foram encontrados. Indivíduos com predisposição familiar apresentam várias anormalidades estruturais no cérebro, como tamanho reduzido e ventrículos aumentados. A hereditariedade, no entanto, não explica todos os casos. Os cientistas querem entender quais fatores e riscos genéticos podem acarretar a doença e estão aplicando a técnica de análise de imagens também em parentes de pacientes esquizofrênicos. Segundo Thompson, mesmo que as causas da doença ainda não sejam conhecidas, sabe-se que, durante a adolescência, alguns agentes não genéticos podem ativar a doença em certos indivíduos, mas não em outros.
Sarita Coelho
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